Diretor

HÁ 50 ANOS O HOMEM CHEGAVA À LUA

Em 20 de julho de 1969, eu participava do VIII Congresso da Mocidade Batista Brasileira, em Manaus, quando o mundo parou por alguns instantes. Pessoas em êxtase, outras incrédulas, procuravam se acotovelar junto a uma TV, em preto branco (não havia colorida), para verem o norte-americano Neil Armstrong – engenheiro aeronáutico, piloto e astronauta – o primeiro homem a pisar o solo lunar. O segundo, foi seu colega também astronauta Edwin Aldrin Junior, enquanto Michael Collins pilotava o Módulo Lunar.

A alunissagem ocorreu quatro dias após embarcarem em Cabo Kennedy – a bordo da Apolo XI.

Pelo menos, um bilhão de pessoas assistiram, ao que ainda hoje é considerado o feito mais audacioso da corrida espacial. Testemunhado também por 900 jornalistas e fotógrafos, de 55 países, falando 33 línguas.

A disputa espacial, entretanto, começou bem antes, na década de 50, entre russos e americanos. Os russos lançaram em 12 de abril de 1961 a nave espacial Vostok 1 e viajaram na órbita da terra com o cosmonauta soviético Yuri Gagarin. Mas foram os americanos, os primeiros a pisarem em solo lunar.

Foi um período efervescente – chamado “Guerra Fria” –  marcado por mudanças de toda a sorte e encantamento com a tecnologia e a política. O astronauta Neil Armstrong, ainda no espaço, declarou a todo o mundo: “Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Vale ressaltar, que os televisores disponíveis no Brasil eram de tubo e com imagens em preto e branco. Computadores pessoais e celulares não existiam e as ligações telefônicas à distância, apenas engatinhavam. As mensagens escritas eram transmitidas por telex.

Sem me deter a fatos muitos específicos, além de ampliar o conhecimento do universo, houve grandes avanços na tecnologia, com ganhos significativos para toda a humanidade. Quase todas as pesquisas espaciais tiveram grande aplicação na vida prática.

Citando algumas dessas pesquisas, tivemos: Transmissão de TV com uso do sinal de satélites; Telemedicina – necessidade de dar assistência médica à distância, Telemetria e Comunicação Remota, criação do GPS; Purificadores de água – os astronautas precisavam de água limpa para consumo; Comida congelada à vácuo para alimentar os astronautas (capaz de manter seus valores nutricionais) incorporada pela Indústria de Alimentos; Trajes e capacetes dos astronautas, que resistem a grandes mudanças de temperaturas (roupas de bombeiros e pilotos); detectores de fumaça ou vapor tóxico, que evitam incêndios; Lanternas especiais; Rodas aerodinâmicas e leves.

Apesar da lista enorme de invenções, aprimoramentos e benefícios para a humanidade, faço questão de ressaltar que, passados cinquenta anos do evento mais espetacular da história humana documentada, o que jamais foi alcançado.

Os cientistas, pesquisadores e a própria tecnologia não conseguiram:

Paz – estamos longe dessa pequenina palavra, mas de grande significado. Hoje, temos uma nova corrida espacial, entre Estados Unidos, Rússia, China, Japão, Coréia do Norte e Europa. A verdadeira paz é inatingível pela tecnologia. “Deixo-vos a paz a minha paz vos dou; não vos dou como o mundo a dá…” João 14: 27

Amor ao próximo – é algo íntimo. A humanidade aprendeu a acumular bens, mas continua vazia, sem amor ao próximo;

Felicidade – o aumento da informação e o conhecimento acumulado das pessoas, nas mais diferentes áreas, não as fizeram mais felizes.

Aceitação e cuidados – talvez um dos mais importantes itens, esquecido pelos povos mais desenvolvidos, com enorme dotação orçamentária para o desenvolvimento e a manutenção da corrida espacial e armamentos, esquecendo-se dos países pobres. Aumentando o poço da desigualdade entre os povos. Países fecham suas fronteiras, não recebendo refugiados, negando assistência e alimentação.

O homem resolveu conhecer a lua, o espaço sideral e a dominar o mundo, mas. Infelizmente, não conhece a si próprio. A fragilidade humana continua. Olhando para as grandes metrópoles, encontramos pessoas preocupadas com seus destinos, sérias, fechadas. A solução ou as respostas para o seu cotidiano, nem sempre estão nas grandes invenções.

Vale o conselho de Martin Luther King: “A verdade é que muitas vezes, pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios”.

Prof. Dr. GEZIO D MEDRADO

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